quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Sobre amores de verão
Eles viveram uma daquelas paixões de verão que se definem porque são intensas, efêmeras, entusiasmadas e cheias de esperanças com prazo de validade curtíssimo. Beijos, abraços, muita química e pra sempre até que a realidade bata à porta. Uma fantasia de carnaval para dois corações que começavam a endurecer frente tanta coisa sem graça. Um desvio delicioso da monotonia da vida real.
Foi daquelas paixões que fazem as pessoas dividirem camas de solteiro no calor de 30 graus e acordarem sem sentirem um músculo do corpo. Que nos fazem planejar morar em Barcelona e ter filhos espanhóis (que terão os olhos do pai e o sarcasmo da mãe). Paixão de tarde com mojitos sob o sol da Espanha e de cervejas estranhas no verão friorente de Bruxelas. Paixão que faz com que as horas perdidas procurando um restaurante no Bairro Gótico sejam mais uma história pra contar. Que a batata frita dividida na escada seja banquete. Que beber cerveja quente na rua seja uma delícia. Que ficar horas na areia da praia mais caída de Barcelona pareça ''A Lagoa Azul''.
Paixão que te faz pegar o primeiro avião com destino a felicidade. Mentira. Com destino a Bélgica. A mesma paixão, te faz mudar a passagem duas vezes porque você achou que o tempo que passaria com ele seria muito curto. Paixão que te faz rir quando começa a chover e vocês estão com as malas no meio da rua.
Paixão daquelas que em que se cria um mini-universo particular com piadas, cheiros, pensamentos e toques que só vocês dois podem entender. Um mini-universo com uma sintonia quase telepática. Impossível para os apaixonados que nunca tiraram o pé do chão. Paixão daquelas que te faz quase ser atropelada por um ônibus (literalmente) por que a conversa dos dois era muito mais interessante que um mero farol vermelho.
Foi daquelas paixões embalada por Stevie Wonder, Marvin Gaye e Chet Baker. Pontuada por episódios de Friends e comida indiana. Paixão poliglota: ora em português, ora em francês, ora em espanhol, ora em inglês. Por momentos (os melhores), sem idioma algum. Uma paixão na qual os clichês eram deliciosos e as conversas afrodisíacas. Paixão de noites não dormidas e sonecas carinhosas. Paixão para encher uma vida de lembranças.
Amanda Foschini
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