
O amor te escapa pelos dedos como quando você brinca de pegar areia fina da praia com as mãos. Quando você quer controla-lo. O amor se esconde por trás de um rosto cansado, numa fila do banco ou no banco de algum ônibus voltando pra casa. Volte pra casa, também. Arrume a cama, o cabelo, o emprego, os estudos e depois - se der tempo entre um seriado ou outro - arrume um amor.
O amor não é livro de auto-ajuda. Não é mãe, nem pai, nem irmão mais velho ou mais novo. Amor é aquele amigo que quando cai, a gente ri, mas depois pergunta se está tudo bem, faz curativo e assopra pra passar, sabe? Amor é pra rachar a conta do táxi, do restaurante, e do barzinho de sexta. O amor é por tua conta, rapaz - seja por amor ou não. Amor é pra dividir a cama, o sorvete, o guarda chuva, a culpa, e a pipoca. O amor é bicho arredio, que quer fugir por aí pelos carros e pedestres que correm pela cidade. Amor não é pra ser domesticado, enjaulado ou coisa assim. O amor foge pelas janelas, pelos sorrisos e pelos olhos. Amor é uma junção de apelidos bobos com brincadeiras infantis, mesmo após os trinta, quarenta, ou seja lá qual for a idade dos amantes. Amor é envelhecer ao contrário. Amor é verdade, das mais doces às mais amargas. Amor é sentir frio na barriga após um ''precisamos conversar'' ou após um ''estou chegando pra te ver''. O amor não transforma duas em uma. Amor é soma. E, nunca, o contrário. O amor de um par é a terceira pessoa desta relação. O amor é leve. O desamor que pesa, machuca e maltrata. O amor foi feito como uma troca justa e verídica. Não dá pra amar pelo outro. Nem querer que alguém alimente o nosso amor próprio. Porque até na frase: ''Eu te amo'', o ''eu'' vem em primeiro lugar.
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