terça-feira, 10 de maio de 2011




Aqueles lugares, e as experiências que tive neles, eram meus, somente meus. As sensações de solidão, propriedade e adequação que experimentei naquelas viagens estavam criando um mundo particular que, por definição, era impossível compartilhar. Não obstante, eu tentava. Tirava fotografias e postava online álbuns das minhas viagens; no entanto, as imagens foram insuficientes. Elas não tinham êxito porque eram distantes em tempo e lugar do que passei ao estar naquele lugar e naquela hora. Para uma pessoa sentada num escritório ou em uma sala de estar, uma fotografia de um pôr do sol numa montanha no inverno é apenas uma fotografia. Para mim, era a experiência de bater a fotografia. Por exemplo, depois de caminhar por oito horas com raquetes de neve com a minha mochila de 25 quilos subindo o vale de Cottonwood Creek, através de uma floresta desconhecida com uma neve em pó e passar por cascatas congeladas, alcancei o desfiladeiro a 3.960 metros entre os picos Eletric e Broken Hand. Com um privilégio à altura de uma pintura de Albert Bierstadt, assisti ao pôr do sol de luz avermelhada do primeiro solstício de inverno transformar as formações de rocha cobertas de neve de Creston Needle em uma montanha roxa tão majestosa que chorei diante da sua beleza. Uma foto não faria justiça a essa experiência - por maiores que fossem os meus talentos fotográficos, não conseguiria fazer o espectador sentir a combinação transcendente de esgotamento. fadiga, hipóxia, elação e realização pessoal que senti ao presenciar uma vista tão sublime, naquele instante, entre o dia e a noite.


                                                                              Aron Ralston

Nenhum comentário:

Postar um comentário