quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Tenho esse texto a um tempão e ontem tive a ideia de postá-lo aqui, pois tenho certeza que, assim como eu e várias pessoas que já leram, irão AMAR! ^^

Beijos, by Juh


Era uma vez o amor
(Felipe Sandrin)

Passamos a vida inteira ouvindo falar sobre o amor, sobre os sofrimentos e sobre prazeres os quais ele causa. Aprendemos que tudo leva ao romance. Porém, nunca aprendemos sobre o que é, verdadeiramente, o amor.

Consultamos o livro da vida e, com o passar dos anos, acumulamos informações sobre o que seria esse tal “amor”. Um dia, aprendemos que, amar alguém, é dividir; amar alguém é uma forma de vencer o egoísmo, vencer a solidão. No outro, aprendemos que amar a si próprio é tão fundamental quanto amar a alguém, pois é esse amor próprio que nos leva ao merecimento de ter quem nos faça bem ao nosso lado.

Por outro lado, paradoxalmente, o amor é uma invenção da vida e, como ela, não tem respostas. Nossa busca por entender sentimentos só serve para alimentar aflições, sentir falta de alguém, dizer que amamos outra pessoa. Todas essas ações tornaram-se meras obrigações.

A sociedade manda: “ande de mãos dadas com alguém na rua; saiam para jantar; aluguem um filme para sábado à noite. Você só é normal, se deixar de ser sozinho. Você e mais alguém precisam ser um casal”.

Eu, como ser humano digno de muitas aprendizagens ao longo da vida, não posso afirmar com exatidão a definição de “amor”, mas certamente, na sua condição substrata existencial, esse sentimento complexo está cada vez mais deteriorado. ‘Amar’ deixou de ser opção para virar obrigação. Resume-se a sexo, finais de semana na casa de alguém, dar presentes, ensaiar o futuro, mostrar-se por ai não mais estando só.

Antigamente, assim como relatam – com orgulho – nossos antepassados, o amor era mais puro. Os galanteios e conquistas davam-se de forma diferente na presença da formalidade e da seriedade. Sabia-se que, mais cedo ou mais tarde, tudo aconteceria na hora certa. Hoje em dia, jovens resumem o amor à palavra “namorando” no orkut. Se um relacionamento não vai bem, acaba-se e vai pro próximo, e, assim, continuamente, deixando de lado o romantismo – critério indispensável ao sentimento amor -, para dar lugar à banalidade dos relacionamentos passageiros. No final, deixamos tantos pedaços nossos por aí, que fica difícil de entender o que realmente buscamos.

Finalmente, concluo citando Rochefoucauld, que revela uma característica desse inquietante sentimento:
“Não há disfarce capaz de ocultar o amor quando ele existe, nem de simulá-lo quando já não existe”. Enfim, uma qualidade sentimental autônoma tão perceptivelmente forte, que é instantaneamente reconhecida, e, apenas o amor verdadeiro é capaz de se tornar eterno.

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